No mundo paranoico dos profissionais de segurança em TI, todos os
movimentos parecem se tornar uma porta aberta para possíveis ataques
hackers. Cloud Computing? Que nada. Para eles, é melhor deixar os dados
guardados bem pertinho de você. Criptografia é uma necessidade, até
mesmo nas contas de emails pessoais. Senhas gigantescas, com números,
letras e caracteres especiais? Mas é claro! É inevitável conversar com
eles e não imaginar um futuro apocalíptico, ainda mais quando essa
conversa acontece em Cancun, território ocupado pelos Maias em séculos
passados. A cidade mexicana foi escolhida pela Kaspersky, empresa de
segurança online, para a realização de seu congresso mundial. E, ao
assistir às palestras, a previsão dessa civilização de que o mundo
acabará em 2012 nunca pareceu fazer tanto sentido.
E se a
segurança pessoal no mundo online já requer vários cuidados, o que dizer
da segurança de nações inteiras na web? Costin Raiu, diretor do
laboratório de pesquisas e análises da Kaspersky, afirma que a tão
temida cyberguerra está definindo novos rumos para a tecnologia militar.
"Hoje, estamos trabalhando com 4 forças bastante poderosas. De um lado,
hacktivistas como Anonymous e LulzSec querem ser ouvidos. Os países
também estão em uma 'corrida armamentista virtual'. Google e outras
grandes empresas são cada vez mais poderosas graças à quantidade imensa
de informações que guardam de todos nós. Cybercriminosos desenvolvem
ataques cada vez mais complexos e sofisticados. Frente a esse cenário,
como não se preocupar e enxergar riscos para todos os lados?", comenta.
Para
Vitaly Kamluk, engenheiro especializado em malwares da empresa, a
cyberguerra já começou há muito tempo. "Em 2007, a Estônia entrou em
colapso graças a ataques vindos da Rússia. Em 2008, ataques DDoS
derrubaram a Geórgia. Em 2009, os governos da Coreia do Sul e dos EUA
sofreram invasões. O Stuxnet foi descoberto em junho de 2010, mas
rastros indicam que ele já estava em atividade desde 2009. Na verdade,
nós acreditamos que existam cerca de 100 países praticando a
ciberespionagem atualmente, e de forma bem organizada", diz.
A
saída, segundo os especialistas, está no desenvolvimento de novas leis
internacionais para o cybercrime. "Talvez precisemos reconstruir a
internet a partir do zero", afirma Kamluk. "Hoje, enfrentamos muita
dificuldade ao pedir apoio de alguns governos em investigações mais
aprofundadas. Isso acontece porque, muitas vezes, as pragas geram
dinheiro para aqueles países. E algumas nações preferem manter essa
renda vinda de caminhos pouco éticos".
E o Brasil?O
CCOMGEX (Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Governo) lançou
um programa para simular ataques de eventuais guerras cibernéticas. "O
país está em posição de destaque no mundo e essa evidência pode ser
bastante perigosa neste aspecto. Temos ativos e patrimônios para
proteger. Se algum país quiser nos atacar não precisa soltar bombas,
basta atacar nossa rede", comenta Carlos Rust, sócio-diretor da
Decatron, empresa que venceu a licitação para desenvolver o sistema de
defesa brasileiro.
O simulador grava todas as ações para que
seja possível analisar quais recursos foram utilizados durante o ataque.
"Existem softwares como esses na Itália ou Israel, mas o exército
queria ter algo nacional. Vamos gerar um produto completo no mesmo nível
das principais soluções estrangeiras disponíveis no mercado. E ainda
existe a vantagem de garantirmos total controle da solução", completa.
Fonte : Olhardigital